heart-shaped bruises and late night kisses, divine

Terror

February 4, 2010
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As pessoas: o excelente pai de família que nesse momento empacotava as coisas e ajudava os filhos a colocarem um agasalho, que gostaria de ter um caso com a secretária, mas estava aterrorizado com a reação da mulher. A mulher, que gostaria de trabalhar e ter sua independência, mas estava aterrorizada com a reação do marido. As crianças que se comportavam bem, com terror dos castigos. A moça que lia um livro, sozinha numa barraca, fingindo displicência, enquanto sua alma aterrorizava-se com a possibilidade de passar sozinha o resto de sua vida. O rapaz com a raquete exercitando seu corpo, aterrorizado pelo fato de precisar corresponder às expectativas de seus pais. O garçom que servia drinques tropicais aos clientes ricos, e se aterrorizava com a idéia de ser despedido a qualquer hora. A jovem que queria ser bailarina, mas estava num curso de advocacia por terror de enfrentar a crítica dos vizinhos. O velho que não fumava e não bebia dizendo que tinha mais disposição agindo assim, quando na verdade o terror da morte sussurrava como o vento em seus ouvidos. O casal que passou correndo, os pés espalhando a água à beira do mar, o sorriso nos lábios, e o terror oculto dizendo que iam ficar velhos, desinteressantes, inválidos. O homem que parou sua lancha na frente de todos e acenou com a mão, sorrindo, queimado de sol, sentindo terror porque podia perder seu dinheiro de uma hora para outra. O dono do hotel, que olhava toda aquela cena paradisíaca de seu escritório, tentando deixar todos contentes e animados, exigindo o máximo de seus contadores, com terror na alma porque sabia que – por mais honesto que fosse – os homens do governo sempre descobriam as falhas que desejassem na contabilidade.
Terror em cada uma das pessoas na linda praia, no entardecer de tirar o fôlego. Terror de ficar sozinho, terror do escuro que povoava a imaginação de demônios, terror de fazer qualquer coisa fora do manual do bom comportamento, terror do julgamento de Deus, dos comentários dos homens, terror da justiça que punia qualquer falta, terror de arriscar e perder, terror de ganhar e ter que conviver com a inveja, terror de amar e ser rejeitado, terror de aceitar um convite, de ir pra lugares desconhecidos, de não conseguir falar uma língua estrangeira, de não ter capacidade de impressionar os outros, de ficar velho, de morrer, de ser notado por causa de seus defeitos, de não ser notado por causa de suas qualidades, de não ser notado nem por seus defeitos, nem por suas qualidades.
Terror, terror, terror. A vida é o regime do terror: a sombra da guilhotina.


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February 4, 2010
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Acabo de me dar conta de que existem duas coisas que impedem uma pessoa de realizar os seus sonhos: achar que eles são impossíveis, ou, através de uma súbita virada na roda do destino, vê-los tranformarem-se em algo possível quando menos se espera – pois nesse momento surge o medo de um caminho que não se sabe onde vai dar, de uma vida com desafios desconhecidos, da possibilidade de que as coisas com que estamos acostumados desapareçam para sempre.
As pessoas querem mudar tudo, e, ao mesmo tempo, desejam que tudo continue igual.


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St. John’s Wood

February 4, 2010
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Virei a esquina, quase chegando lá, e, através da escuridão, fixei os olhos na entrada da estação: o maravilhoso portal mágico que me traria de volta àquele novo futuro. Então percebi que alguém alto e magro junto à entrada da estação me observava. Embora estivesse muito escuro para ver direito e muito cedo para ter chegado tão depressa do centro, eu soube na mesma hora: era ele. Não tropecei nos próprios pés, fisicamente falando, mas senti como se isso tivesse acontecido. Foi como vê-lo pela primeira vez. Meus passos diminuíram a velocidade, eu já sabia o que ia acontecer. Quando eu chegasse perto dele já era: ninguém diria nada. Ficaríamos parados, mesclados um no outro para sempre. Eu poderia ter parado. Na mesma hora eu poderia ter dado meia-volta e apagado o futuro – mas continuei em frente. Colocando um pé frente ao outro, de forma mecânica, como se um fio invisível me carregasse até ele. Cada vez que eu respirava, o ar ecoava, parecia aumentar e diminuir, como se eu vestisse equipamento de mergulho; e, conforme fui chegando mais perto, me obriguei a desviar os olhos dele. Foquei a calçada – vi uma sacola vazia da Fortnum and Mason, uma rolha de champanhe, restos de lixo brilhantes e sofisticados, até me ver diante dele.


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Paint the silence

January 13, 2010
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E a solidão me bateu com tamanha intensidade, que cheguei a me sentir oca. Observava a dança das partículas de poeira na luz da manhã recém-nascida e me sentia como se estivesse em linha direta com o centro do universo, e este também estivesse oco, vazio, isolado. Eu continha o vazio de toda a Criação no espaço que um dia fora ocupado por meu estômago. Quem diria que um ser humano pode conter tamanho nada? Eu era uma montanha emocional, contendo desertos de uma vastidão inverossímil, feitos de abandono e vazio, semanas inteiras de jornada por um vácuo desértico, isolado.
Vazio ao meu redor. Vazio dentro de mim.


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January 13, 2010
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As coisas não melhoram em linha reta. Para cada dois passos que eu avanço, retrocedo um. Há ocasiões em que a vontade é de apagar, sair da realidade por algum tempo, quando a consciência implacável de alguma coisa me deprime. Não é preciso acontecer nada de ruim, eu apenas me canso de sentir.


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January 13, 2010
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Tomar decisões é a parte dolorosa para mim, a parte que me angustia; mas depois que a decisão é tomada, eu simplesmente sigo – em geral com alívio por ter decidido o que fazer. Às vezes o alívio é tingido de desespero, como minhas resoluções no geral. Mas ainda é melhor do que lutar com as alternativas.
É ridiculamente fácil viver com essa decisão. Perigosamente fácil.


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Sobre o certo

January 13, 2010
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Às vezes sabemos o que é certo e não o concretizamos porque o certo não nos parece o mais certo. Ou até parece, mas não aceitamos isso, fugimos do óbvio, nos recusamos a pensar sobre… Por um lado pode parecer uma boa solução, mas a situação geralmente pende para o outro lado: encarar a merda do problema de frente e, afinal, fazer o certo, o certo que citei no começo do post.
Pode doer até te fazer imaginar que está com os dias contados, mas, poxa, nunca está. Ninguém morre de decepção ou da tristeza propriamente ditas. Morre do que elas acarretam, claro, mas antes que elas atraiam qualquer coisa, é o momento perfeito para levantar, botar na cara um sorrisão de quem conseguiu achar uma vaga para estacionar o carro, e seguir em frente. Tirou notas baixas? Estude para a próxima prova! Brigou com os pais? Fuja de casa (HAHA)! O namorado te pegou beijando o menino bonitinho do outro quarteirão? Negue até o fim (HAHA)! O cachorro fez xixi na tua cama? Espanque até ele dizer que aprendeu a lição (?)! Seu filho vomitou no tapete? Mande-o limpar com Quiboa e Veja! Tão fácil, é só fazer o certo e pronto, tchãnããm, uma vida nova! Uma vida melhor, uns dias melhores, um amor melhor, um amigo melhor, um refrigerante melhor, um celular com crédito, uma internet mais rápida… Tudo se revolucionando! Tudo no bem-bom só porque você fez o certo! Parabéns, coleguinha, parabéns!


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take it all back

January 6, 2010
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Life is  boring, except for flowers, sunshine, your perfect legs. A glass of cold water when you are really thirsty. The way bodies fit together. Fresh and young and sweet. Coffee in the morning.

These are just moments. I struggle with the in-betweens. I just want to never stop loving like there is nothing else to do, because what else is there to do?


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May 22nd, 2009

January 4, 2010
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Algumas coisas acontecem só pra gente ver quem realmente vai tar do nosso lado no matter what, acontecem só pra gente perceber o quanto ama.
As coisas acontecem só pra aproximar a gente, amor.
Eu amo todas as coisas com você, eu amo a sua boca quente na minha, eu amo o seu cheiro, amo o seu sorriso, seus olhos, seu jeito de falar, o jeito como ouço o seu coração bater quando estamos juntos, eu amo o seu abraço, sua voz, o jeito como você me tranquiliza, o jeito como você me trata, como se fosse a única do mundo, eu amo o modo como me sinto quanto to contigo…
Eu amo tudo, amo mesmo.
E, novamente, os problemas acontecem só pra aproximar a gente…


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January 4, 2010
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Você pode ir. Não que dependa de mim pra decidir se vai ou não, mas só para que você saiba: por mim, tudo bem. Assim, claro que me dói, vai me doer mais ainda com o passar dos dias, mas fazer o que, né? Agora, vem cá, vamos combinar uma coisa né, por quê, por quê, Amor, que você tinha que escolher um lugar tão longe pra morar? E eu, como fico eu, aqui, nessa cidade pacata, com todas as lembranças que cada rua traz de você? O que vai ser dos meus sentimentos quando você partir? Às vezes eu tenho medo de não conseguir lidar com isso tudo, de acabar por me desfazer toda, acabar bagunçando o que a gente demorou tantos meses pra construir tão bem construidinho, tão bem cuidado para nunca desmoronar. Mas, ainda assim, eu montei, ao longo dos dias, todo um preparo para o que vier futuramente. Quer dizer, você me ama, certo? E eu te amo, certo? Então não tem o que temer. Ou tem, né, mas whatever, isso é o princípio de tudo.

Hoje fiquei te olhando dormir no sofá. Você pensou que eu estava dormindo, porque eu fiz de conta. Até cochilei um pouquinho, mas logo acordei, e fiquei te olhando dormir. Aí eu pensei uma coisa que foi engraçada: a gente tava com preguiça de dormir no mesmo sofá porque tava muito calor, então cada um deitou em um sofá, jogado, braços e pernas espaçados, pra evitar o suor. E você dormindo todo torto no sofá foi bonitinho de ver, mais bonitinho ainda porque tava todo bravinho comigo porque ri da sua cara: porque falei que você tava tirando cera do ouvido, e você ficou resmungando que não tava nada não.  Viu só, esse tipo de coisa vai me fazer uma falta imensurável quando você for embora. Eu peço tantas vezes pra você não ir, fico choramingando amoorr por que você vai embora? E, sempre que eu faço esse tipo de pergunta, você me abraça forte, muito forte, ou pega nas minhas mãos e me beija, coisas assim – meio que fugindo da pergunta, um não-há-nada-que-eu-possa-fazer-para-evitar que até me dói de ver. Dói ver que você também tá sofrendo com isso, e eu sei o quanto tá. Eu sei que, no fundo, assim como eu, você pensa todo dia no futuro, e em como vai ser esse ano pra gente, o quanto a gente vai ter que lutar, todo esse tipo de coisa.

Mas você pode ir, juro juradinho. São os seus sonhos, o seu futuro, a sua vida avançando. Enquanto isso, eu fico aqui. Vou estudar, vou prestar atenção em tudo, fazer todas as coisas direitinho, para que a minha vida avance também. Para que, daqui a alguns anos, a gente possa realizar os nossos sonhos. Porque eu sei que enquanto você permitir, eu vou amar os seus defeitos: amar como ama o amor, que não deixa a gente prestar atenção no que é ruim, e vendo tudo que você me traz de bom. Vendo esse seu sorriso, prestando atenção em como os seus olhos ficam pequenininhos quando você me dá ele –  o sorriso. Eu vou te amar por tudo o que você me faz sentir, toda essa mistura de felicidade instantânea que ao mesmo tempo é duradoura, todas essas borboletas que voam livres no meu estômago quando você beija a minha testa, Ou a cada Te Amo. Vou amar até o jeito como você e meu pai ficam conversando sobre coisas chatas como bolsa de valores e não sei mais o que às vezes. Até isso, olha só!

Lembra quando a gente brigou, aquela briga mais feia de todas mesmo, e você terminou comigo e, depois de muito te xingar, a gente fez as pazes, mais ou menos uma meia hora depois da briga? E você me abraçou muito forte e prometeu que nunca mais isso ia acontecer? Pois é assim que seguirão as coisas: sem, nunca mais, acontecer de nascer um dia em que a gente tenha uma briga daquela. Porque aí nós vamos só crescer e crescer cada vez mais, e o que existe entre nós nunca, nunca, vai ser separado por vazio nenhum. E lembra aquele coraçãozinho azul que você trouxe pra mim da Alemanha, e me deu de presente, dizendo que, assim, eu teria o seu coração sempre comigo? Ele tá guardado naquela caixinha – a caixinha de coisas nossas, e vai ficar sempre muito bem guardado: sempre comigo.

Preciso comprar um coraçãozinho pra te dar de presente também.


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A verdade é que o mundo sempre tem do que se queixar - a única diferença é que a queixa de alguns é simplesmente menos caótica que a de outros, ou simplesmente menos trágica: alguns reclamam por pouco. Mas, ainda assim, reclamam. Pois eu acho que o que o mundo precisa é de uma enorme falta de senso de responsabilidade! Porque aí seria o caminho para começarmos a não ligar para os problemas, e, então, darmos aquele sorriso que esperou anos para aparecer nos nossos lábios, pintando cada rosto com a bonita claridade de uma nova felicidade. E talvez esse sorriso nunca tenha aparecido em mim, ou em você, e quem sabe vai nos fazer perceber que nossas vidas inteiras foram uma droga e não valiam a pena até aquele momento. Por isso, consequentemente, continuaremos, todos, procurando a felicidade, porque ela nos dá prazer e o prazer move todas as nossas engrenagens.

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