“15 years before…” – do episódio dos Simpsons, que estou vendo agora. E acontece que eu meio que morri de inveja de assistir isso, e ver que a Marge e o Homer têm algo a lembrar do passado. Assim: olha pra trás e identifica todos aqueles que, de certa forma, marcaram a sua vida de uma forma positiva (sim, porque se for lembrar todas as pessoas que marcaram a vida de uma forma negativa, ia ficar até amanhã). Olha, eu não quero fazer drama, nem ser uma chorona babaca, mas, se agora, com a “pouca” idade que eu tenho, quando tento identificar aqueles que marcaram/marcam a minha vida, não consigo ter certeza, imagina daqui a quinze anos! E é pior ainda quando eu me dou conta de que os poucos que eu conseguiria colar uma etiqueta de Marcaram a Vida não estão mais nela, não tenho mais contato, o tempo fez o seu trabalho de sempre, que é afastar, ou eu fiz o meu trabalho de sempre, que é afastar, ou houveram brigas, desentendimentos, discussões bobas, mas que acabaram por tomar formas monstruosas… Fazendo seu trabalho de sempre, que é afastar. Eu tinha toda uma ilusão de que, a partir de então, teria uma nova vida, uma nova rotina, pessoas novas, nas quais eu possa confiar. Tudo bem, tudo certo, se não fosse pela última parte. Na real, a culpa é minha. Sim, porque, para que haja confiança, as pessoas tem que dividir suas vidas, para, então, ter algo que as segure juntas, como uma fita de presente transparente que as une e só solta se alguém fizer esforço para arrebentá-la. “People have to share things, Joel!”, já dizia a Clem. Acho que isso me dá o atestado de Looooooooooooser do ano. Eu não acho que consiga dividir a minha vida, talvez eu tenha nascido com esse defeito, talvez exista uma síndrome para isso – Síndrome da não-divisão das coisas -, ou talvez eu só precise colocar isso em prática. Seria preciso tentar para saber, não é mesmo? E aí que eu fico aqui, remoendo e doendo tudo o que eu sei que há de errado em mim, com relação a todas essas coisas. Como naquela vez em que eu li o PostSecret e fiquei maravilhada – seria essa a palavra certa? – com um segredo que tinha lá: I’m very scared this is the clímax of my life, e sabe, assim, quando você mais do que se identifica? Eu mandaria um segredo como esse, easily.
Mas agora que o Homer e a Marge já voltaram para os dias atuais, sem mais lembranças, minha inspiração e todas as palavras que eu tinha em mente para escrever foram embora. No more.